segunda-feira, 14 de abril de 2014

Música do Dia #13



Roslyn- Bon Iver

Up with your turret
Aren't we just terrified?

Shale, screen your worry from what you won't ever find

Don't let it fool you
Don't let it fool you...down
Down's sitting round, folds in the gown
Sea and the rock below
Cocked to the undertow

Bones blood and teeth erode, with every crashing node
Wings wouldn't help you
Wings wouldn't help you...down

Down fills the ground, gravity's proud
You barely are blinking
Wagging your face around
When'd this just become a mortal home?

Won't, won't, won't, won't
Won't let you talk me
Won't let you talk me…down

Will pull it taut, nothing let out





terça-feira, 8 de abril de 2014

Eu, Jess


imagem via: Google

Eu  andava triste com todas as coisas que vinham ocorrendo. Eu, uma menina qualquer de uma cidade qualquer mas que parecia carregar a dor e a tristeza de dez pessoas juntas. Eu, Jess.
Sentia tristeza ao olhar a minha volta o quanto tudo me atingia.
Eu tinha um trabalho que muitas pessoas matariam para ter, tinha uma boa casa, uma família um namorado, mas me faltava algo, faltava felicidade.
No trabalho conversas avulsas sobre eu e o mundo, me rondavam diariamente, na minha casa a difícil convivência com meu irmão mais novo, meu namorado bem... é complicado.
Eu sentia todos os dias a insignificância da minha vida, principalmente matinal.
Aquelas olheiras, a falta de maquiagem e as roupas velhas que vestia era simplesmente um disfarce do meu verdadeiro eu que aparecia em situações felizes, ou seja, poucas vezes ao ano.
Eu tinha poucos amigos, minha gata chamada Britney, (porque eu gostava da Britney na adolescência),  um boneco do Darth Vader, e a Beth.
A Beth era minha colega da faculdade e trabalhava o dia todo como atendente de farmácia.
Ela é ruiva e usa aparelho. Ela também só tinha uma amiga. Eu.
Bom, você deve estar pensando o porque de eu usar presente e passado juntos no texto. Bom logo você vai entender.
Os dias frios me agradavam, eu gostava de chocolate quente e de um bom livro na companhia da Britney, que em um só miado derretia meu coração. O Jason, meu namorado trabalha no MC Donalds, ia lá nos fins de semana comer um Big Mac com batatas. Jason é carinhoso e vivia perguntando por mim.
Eu tinha uma veia depressiva desde a oitava série, espinhas e puberdade não me fizeram bem, pelo contrário, me afastaram de todos os meus coleguinhas do primário, mas lá estava a Beth, ela não se afastou.
Um dia qualquer eu tinha terminado de tomar meu chocolate com uma cara blasé como sempre, até que vi uma mensagem de texto de Jason.
“Oi Jess, preciso conversar com você, saio as dezessete horas hoje. Beijos”
Bom achei estranho a maneira fria com que ele me tratou, ,mas não dei muita importância, ele podia estar ocupado.
Marquei com a Beth em um café, faz tempo que não conversávamos. Sentíamos a falta uma da outra.
Beth começou contando sobre o moço que comprava vitaminas todas as manhãs  e foi terminando suas histórias de como gostava de um cara do quarto semestre de Química, bom então ela contou também que uma moça da farmácia tinha roubado uns remédios fortes pra dormir, e tomou todos de uma vez. “Foi encontrada morta essa manhã”- ela disse.
Fui dar uma volta no parque antes de encontrar o Jason, foi um sábado perfeito, até encontrar com ele aquele dia.
Eram umas quatro da tarde quando o tempo fechou e resolvi ir até o Mc Donalds encontrar o Jason.
Bom, ele estava do lado de fora quando cheguei, e nem se deu conta de que cheguei porque estava abraçado com uma loira alta, magra e bem mais bonita que eu.
Não me dei ao trabalho de esperar até as dezessete horas.
O céu estava escuro e cheguei ensopada em casa, boa parte dessa água diria que foram minhas lágrimas, gostava mesmo dele.
Gritos da cozinha me alarmaram um pouco, minha mãe brigava com meu pai e logo em seguida pegou suas coisas e saiu de lá levando meu irmão e me deixando para trás.
Me tranquei no quarto umas semanas, não tive muita vontade de sair. A cozinha estava imunda e não tinha comida descente em casa desde que minha mãe se foi.
Meu irmão deixou de lembrança arranhões nos meus discos dos Beatles, ele estava bem feliz de se livrar de mim.
Tentei falar com a Beth ela não me atendia, decidi ir até a farmácia e ela não estava lá, fui até a casa dela e vi a mesma menina loira que estava com o Jason, elas riam e conversavam, então achei que era mesmo uma imbecil.
Fui na sorveteria tomar sorvete de pistache, mas não tinha. Minha vida tava um horror, tudo dando errado e eu cada vez mais triste.
Me lembrei daquela história de remédios para dormir, decidi tomá-los.
Fazia aproximadamente quatro semanas sem mamãe, sem meu irmão, sem Beth e sem Jason, e a não ser por umas 700 ligações perdidas de Jason e Beth, mais ninguém sentia minha falta.
Perdi a maioria das matérias da faculdade por faltas, as olheiras fundas mostravam minha insônia excessiva. O trabalho... Bom, deixei definitivamente, era uma das coisas que me fazia infeliz.
Ainda estava com vontade de tomar aqueles remédios, mas algo me contia: Britney (a gata, não a cantora pop), sabia que sem mim ela não viveria muito.
Eu só usava moletons o dia todo, apesar do calor da primavera, eu estava sempre de moletons, meus poucos cuidados com a aparência sumiram e já não saia de casa.
Beth e Jason vieram me procurar, disse pro papai dizer que estava com a minha mãe, eles não voltaram mais.
Estava no meu quarto em um sono profundo quando ouvi cães latindo do lado de fora, eu estava finalmente conseguindo dormir, então não dei muita importância e encostei minha cabeça no travesseiro.
Acordei na manhã seguinte, ao olhar pela janela do quarto vi apenas “partes” do que um dia foi a Brit.
Me senti imensamente culpada por tudo aquilo.
­          Minha mãe havia se separado por mim, e levou meu irmão porque gosta mais dele e porque ele não gosta de mim;
­          Meu pai está um nada porque está sem minha mãe, e está sem ela por minha culpa;
­          Jason me deixou por eu não dar a devida atenção que ele merecia;
­          Beth me traiu... Bom, não sei porque mas deve ser por culpa minha;
­          Britney se foi porque eu não fui corajosa o suficiente para acordar e ver o que estava acontecendo.
Minha culpa...
Sai naquele momento, e fui a farmácia mais próxima e mostrei minhas olheiras fundas a farmacêutica, quase que a obrigando a me vender os soníferos.
Eram fortes, tomei a caixa toda de uma vez, enfim consegui dormir... Mas não consegui acordar.
Aquela noite foi estranha, via pessoas chorando a minha volta, e não entendia como conseguia me ver, era algo muito estranho.
Minha mãe se desculpava por ter me deixado, Beth e Jason por não ter insistido em me procurar, pessoas do meu trabalho, meu pai e meu irmão, todos inconsoláveis por eu ter morrido.
Eu me sentia bem, mas me sentia mal por ver aquilo, era como ter um grande grito interrompendo seu sono. Interrompia, a todo instante.
Me vi sendo velada, e até que não mais me vi.
Fui até minha casa, estava triste, mas minha mãe estava de novo lá, e meu pai, minha mãe e meu irmão se abraçavam juntos.
Vi Beth e Jason conversando com a mesma menina loira. Era a prima de Jason. Estava de mudança para a cidade e a casa da mãe de Beth seria alugada por ela.
Ao voltar para casa vi todos adormecendo, ao entrar no meu quarto, vi uma coisa felpuda deitada na minha cama... Era Britney.
Ela estava bem, assim como minha família ficou bem.
Quem não ficou tão bem foi Jason e Beth.
Ele ficava mal pelos cantos, e Beth também.
Aquele horário marcado por Jason era para me entregar as alianças de noivado.
Depois disso simplesmente não pude ver mais nada, a não ser se alguém se lembrasse de mim.
Percebi que minha morte foi em vão. Se estivesse viva teria concluído a faculdade, e teria descoberto que Jason e a loira eram primos, e que Britney estava viva.
Foi essa a maneira de ver a verdade.

Estou feliz, mas sinto falta de todos. Dos miados de Britney e dos Big Mac de sábado a tarde.


-Daiane C Silveira


segunda-feira, 31 de março de 2014

Atemporal



Um tempo pra ler.
Um tempo pra ver, somente sentir o coração bater.
Um tempo atrás eu me recordei.
Com tempo pra tanto, agora nem tanto que até desencanto.

Num tempo que via, o sol nascer.
Com ares do dia ao anoitecer.
Cansada do tempo, que perco de vida,
com vida a perder.

O tempo que ela dançava nos trens,
o tempo que ele comprava buquês,
o tempo que eu via o céu arder,
o tempo que não voltará a volver.

De tempos em tempos eu espero você.
Te esperei pelo mesmo motivo de tempo a perder.
Agora me perco no tempo.
O tempo que vivia e aos poucos morria, e morrendo todos os dias, em vida te encontrei.



-Daiane C Silveira


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