quinta-feira, 26 de março de 2015

Edita


Imagem via: Google






































Em um dado momento da vida, as lembranças ficam com um tom amarelado, tal qual aquelas tardes de verão em que o céu se cobre de nuvens laranjas.
Hoje, estive lembrando de tempos atrás onde minha mãe me ajeitava em um vestido de cetim azul com um laço atrás, me beijava nas bochechas e me desejava uma boa aula.
Naquela época de menina me chamavam de Dita ou Ditinha, hoje é Edita.
Nos tempos em que as flores das laranjeiras exalavam seu perfume penetrante, eu peguei pela primeira vez meus livros e fui à escola.
No caminho flores brancas pintavam-se por joaninhas em vermelho vivo e os pássaros cantavam alegres canções enquanto eu saltitava feliz com a novidade.
Parece até que a brisa era mais fresca naquele tempo e as árvores pareciam mais repletas de folhas.
E chegando ao prédio escolar, tudo parecia vibrante e incrivelmente novo. Os móveis em madeira maciça que brilhavam de tão lustrados, os livros nomeados a cada aluno e o colorido dos lápis de cor e dos gizes de cera.
Nesse dia conheci Flor, hoje chamada por seu nome completo Maria da Flor e hoje também, avó. Mas antes era aquela menina doce de face corada e das "marias-chiquinhas" no cabelo. Pensativa e sonhadora era Flor, ela me ensinou a desenhar corações e pintá-los de vermelho, porque assim era o correto ela dizia.
Nas brincadeiras conheci Tobias que lançava um pião com tamanha precisão e destreza, que este ficava rodando por minutos a fio.
Tobias era serelepe e não parava um segundo sequer.
Ganhou diversas cicatrizes.
Hoje Tobias nem está aqui...
Tobias já se foi... De tanto ser sapeca.
Mamãe me esperava sempre no portão e levava minha bolsa de livros. E o cantar das cigarras no calor daquelas tardes prazerosas nos acompanhavam no caminho para casa.
O perfume agradável de comida recém cozida sempre invadia o olfato após as aulas, pois minha mãe sempre me preparava algo para comer.
Entre livros, lápis e bonecas, passava minhas tardes.
E quando o sol batia na janela da cozinha e a brisa tornava-se um vento leve, eu sabia que chegara o entardecer.
As garças brancas desenhavam um "V" nos céus voltando aos seus ninhos... E eu voltaria ao meu descanso.
Flor e Tobias são apenas alguns dos personagens que coloriram minha infância em sépia e ensinaram algo de valioso.
Essa velha idosa que hoje preenche de imaginação sua mente, nada seria sem sua bondosa mãe, a coragem de Tobias e a ternura de Flor.
Pude assim nas tardes que se arrastavam perceber a natureza a minha volta e entender que era feita de amor.
Amor em forma de corações pintados de lápis de cor vermelho.

-Daiane C Silveira

domingo, 22 de março de 2015

Cartas de Amor aos Mortos







































Cartas de amor aos mortos foi uma grata leitura, uma das maiores surpresas que obtive ao ler algo, porque o título deixa no ar o que pode ser o enredo, porém você sempre acaba errando ao imaginar o óbvio.
Quando estava lendo esse livro pessoas chegaram a me perguntar se era espírita ou baseado em fatos reais (um tanto que exagero eu acho), mas eu quando ouvi o título pela primeira vez imaginei uma pessoa de declarando em cartas para pessoas que amava, tipo, o título diz isso.
É totalmente diferente.
Laurel é uma menina triste e solitária que vive longe da mãe e perdeu a irmã. Vive com o pai, que também parece ter mudado depois da esposa ter ido e da filha ter morrido.
Laurel pensa em livrar-se de toda essa tristeza indo para uma escola longe da qual estudava e conhecendo pessoas diferentes que não soubessem o rumo que sua via havia tomado desde então.
Foi a partir de uma tarefa da aula de inglês que tudo se inicia. A professora passa uma tarefa a qual consiste em escrever uma carta para alguém que já morreu.
Isso mexe profundamente com Laurel, pois sua irmã recentemente havia morrido. Ela mesmo assim decide escrever uma carta, mas não para alguém que conhecera ou talvez mesmo para sua irmã, mas sim para pessoas que ela admira e não conheceu de verdade. Pessoas como Kurt Cobain, Amy Winehouse, Janis Joplin e outras.
Ela acaba narrando seu dia a dia e seu passado nessas cartas. E a partir daí começamos a entender o que torna a vida de Laurel tão triste e traumática para ela.
Cartas de amor aos mortos é uma daquelas leituras que nos fazem chorar, pensar e imaginar. Além disso nos faz estar no papel da personagem sentindo cada dor e cada acesso de riso.
Li rápido, porque a linguagem é simples, a estória é envolvente e te atrai a ler continuamente.
Ficam perguntas no ar até praticamente as últimas duas cartas do livro. Recomendo a leitura.

“Todos nós queremos ser alguém, mas temos medo de descobrir que não somos tão bons quanto todo mundo imagina que somos.”
-Ava Dellaira, Cartas de Amor aos Mortos

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-Daiane C Silveira

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